sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Evangelho (Lucas 2,22-40)


— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!

22Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23Conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”. 24Foram também oferecer o sacrifício — um par de rolas ou dois pombinhos — como está ordenado na Lei do Senhor.
25Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor.
27Movido pelo Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29“Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30porque meu olhos viram a tua salvação, 31que preparaste diante de todos os povos: 32luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”.
33O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”.
36Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

Presença do recém-nascido no Templo

Lucas salienta o cumprimento das disposições legais como o motivo da presença do recém-nascido no Templo de Jerusalém, levado por seus pais. Ele realça, assim, o sinal de contradição que se esboça, para a queda e o reerguimento de muitos. A cidade com seu Templo à qual acorre todo o povo para cumprir observâncias religiosas é a cidade que mata os profetas (Lc 13,34; Mt 23,37). Será este menino que em plena maturidade, cheio de sabedoria e da graça de Deus, proclamará a bem-aventurança dos pobres e denunciará a corrupção que assola o Templo, prenunciando a sua destruição e a de Jerusalém.


José Raimundo Oliva

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Evangelho (Lucas 2,22-35)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

22Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23Conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”. 24Foram também oferecer o sacrifício – um par de rolas ou dois pombinhos – como está ordenado na Lei do Senhor. 25Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, 26e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor.
27Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29 “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30porque meus olhos viram a tua salvação, 31que preparaste diante de todos os povos: 32luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”.
33O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti uma espada te traspassará a alma”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

Cumprimento do preceito legal

A narrativa de Lucas se desenvolve sobre o pano de fundo do cumprimento do preceito legal da purificação. A Lei é mencionada cinco vezes. Como contraste, o centro da narrativa é o menino como sinal de contradição. O menino que cresce, forte, cheio de sabedoria e graça, irá condenar as exclusões sócio-religiosas por critérios de pureza e as estritas observâncias legais, bem como a ambição do dinheiro que vigorava no Templo.
Aquele, que na fragilidade da criança era submisso à ideologia da Lei, na maturidade liberta-se e passa a proclamar o amor e a vida como sendo os referenciais fundamentais no projeto de Deus.


José Raimundo Oliva

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Evangelho (Mateus 2,13-18)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

13Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. 14José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. 15Ali ficou até a morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”. 16Quando Herodes percebeu que os magos o haviam enganado, ficou muito furioso. Mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o território vizinho, de dois anos para baixo, exatamente conforme o tempo indicado pelos magos. 17Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias: 18“Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada, porque eles não existem mais”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor. 

Comentário do Evangelho

Jesus Menino migrante

Com esta narrativa da fuga para o Egito e a matança dos meninos de Belém, a qual é seguida da narrativa do retorno do Egito, Mateus encerra o bloco de narrativas de infância de Jesus. O conjunto é caracterizado pelo estilo literário do midraxe judaico que consiste em uma reconstrução literária de episódios bíblicos antigos, apresentados como que se realizando no tempo do narrador. O estilo deixa margem a lacunas. O reforço do tema da eleição, o eleito é protegido e salvo, contrasta com a morte dos inocentes. A matança destes inocentes por Herodes tem semelhança com a matança dos primogênitos do povo oprimido do Egito pelo anjo exterminador de Javé.
A narrativa mostra o poder opressor que extermina qualquer ameaça à sua hegemonia, como o atual império do ocidente. Porém fica aberto um caminho para a salvação.


José Raimundo Oliva

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Evangelho (João 20,2-8)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

No primeiro dia da semana, 2Maria Madalena saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. 3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. 4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. 6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. 8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

A igreja celebra hoje: São João Evangelista

O nome deste evangelista significa: "Deus é misericordioso": uma profecia que foi se cumprindo na vida do mais jovem dos apóstolos. Filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Maior, ele também era pescador, como Pedro e André; nasceu em Betsaida e ocupou um lugar de primeiro plano entre os apóstolos.

Jesus teve tal predileção por João que este assinalava-se como "o discípulo que Jesus amava". O apóstolo São João foi quem, na Santa Ceia, reclinou a cabeça sobre o peito do Mestre e, foi também a João, que se encontrava ao pé da Cruz ao lado da Virgem Santíssima, que Jesus disse: "Filho, eis aí a tua mãe" e, olhando para Maria disse: "Mulher, eis aí o teu filho". (Jo 19,26s).

Quando Jesus se transfigurou, foi João, juntamente com Pedro e Tiago, que estava lá. João é sempre o homem da elevação espiritual, mas não era fantasioso e delicado, tanto que Jesus chamou a ele e a seu irmão Tiago de Boanerges, que significa "filho do trovão".

João esteve desterrado em Patmos, por ter dado testemunho de Jesus. Deve ter isto acontecido durante a perseguição de Domiciano (81-96 dC). O sucessor deste, o benigno e já quase ancião Nerva (96-98), concedeu anistia geral; em virtude dela pôde João voltar a Éfeso (centro de sua atividade apostólica durante muito tempo, conhecida atualmente como Turquia). Lá o coloca a tradição cristã da primeiríssima hora, cujo valor histórico é irrecusável.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Evangelho (Mateus 10,17-22)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: 17“Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. 18Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. 19Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. 20Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós. 21O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais, e os matarão. 22Vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

Estêvão, o primeiro mártir

Jesus chamara os doze apóstolos, enviando-os em missão, com diversas recomendações para o seu exercício. Agora os adverte sobre as perseguições que sobrevirão aos missionários. Alguns ditos de Jesus, neste texto de Mateus, também estarão repetidos no discurso escatológico, sobre o fim dos tempos, às vésperas da crucifixão. As perseguições aos missionários se darão a partir dos poderosos, governadores, reis e sinagogas. A reação vem tanto do império romano como da instituição judaica. É admirável a convicção da presença e ação do Espírito do Pai nos missionários, que tudo enfrentarão com destemor e desembaraço. Na primitiva igreja de Jerusalém, os diáconos foram escolhidos para servir às mesas, serviço secundário, enquanto os apóstolos dedicavam-se à Palavra de Deus (At 6,2-3). Contudo, foi um diácono, Estevão, quem ousou anunciar a Palavra com tal destemor que tornou-se o primeiro discípulo a ser martirizado pelos judeus.


José Raimundo Oliva

sábado, 24 de dezembro de 2011

sábado, 24 de dezembro de 2011

UMA SIMPLES ORAÇÃO DE NATAL! (leia até o final!)


"Senhor, eu gostaria de conversar contigo hoje.
Sabemos que o Natal tornou-se uma data comercial.
Há por aí tanta gente que não entende o Natal.
Para eles, o Natal é mais um feriado para compras.
Eu gostaria de ter visto Teu filho nascer em Belém,
Mas só temos um presépio que para muitos não passa de um enfeite!
Eu gostaria de ver aquela estrela que guiou os sábios,
Mas hoje faltam estrelas para guiar os justos!
Eu gostaria de ter sido um dos pastores que te visitaram,
Mas hoje Tu és o Bom Pastor que hoje nos visita!
Senhor, há dias que não acho graça em nada.
E na minha vida, minha alma tem um sofrer imenso.
Sei que é um momento de de alegria e perdão,
Mas meu coração ainda não vê a alegria desse tempo.
Senhor, faze florir o deserto de amor que este mundo se tornou.
Faze que o natal seja todos os dias, em vez de apenas todo ano.
Que as árvores enfeitadas sejam nós mesmos apontando para o céu,
Com uma estrela no topo para guiar nossos caminhos em Tua direção.
Que o presépio seja um meio de renascermos pobres,
Como Tu naquela humilde manjedoura.
Que as velas sejam a esperança que guiou São José
A não desistir de Ti nem a deixar-lhe nascer sozinho sob as estrelas.
Que a ceia celebre humildemente não aqueles que a consomem,
Mas aqueles que não podem bem sonhar com ela.
E finalmente, que o nosso coração seja como o ventre de Nossa Senhora,
Que carregou Cristo até o nascimento, mas nós devemos carregá-lo sempre!
Senhor, por hoje eu já confessei o que meu coração permitiu!
Já falei o quanto Tu representas para mim.
mas peço, não por mim, mas pelo mundo, muita Paz, muita Saúde e muito Amor.
E que o menino nasça em todos os lares ao redor de cada família sempre.
AMÉM.


(Pedro Augusto)

Evangelho (Lucas 1,67-79)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.


67 Zacarias, seu pai, cheio do Espírito Santo, profetizou dizendo:
68 “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo.
69 Ele fez surgir para nós um poderoso salvador na casa de Davi, seu servo, 70 assim como tinha prometido desde os tempos antigos, pela boca dos seus santos profetas:
71 de salvar-nos dos nossos inimigos e da mão de quantos nos odeiam.
72 Ele foi misericordioso com nossos pais: recordou-se de sua santa aliança, 73 e do juramento que fez a nosso pai Abraão, de nos conceder 74 que, sem medo e livres dos inimigos, nós o sirvamos, 75 com santidade e justiça, em sua presença, todos os dias de nossa vida.
76 E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à frente do Senhor, preparando os seus caminhos, 77 dando a conhecer a seu povo a salvação, com o perdão dos pecados, 78 graças ao coração misericordioso de nosso Deus, que envia o sol nascente do alto para nos viitar, 79 para iluminar os que estão nas trevas, na sombra da morte, e dirigir nossos passos no caminho da paz”.



- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

Jesus é o sol que a todos ilumina

Nestas palavras atribuídas a Zacarias pode-se ver um hino relacionando João Batista a Jesus. O hino compõe-se de duas partes. A primeira parte é uma ação de graças remetendo à tradição da eleição particular do povo de Israel. A segunda parte, diferenciada, onde, em lugar da "salvação dos nossos inimigos" e "de quantos que nos odeiam" é destacada a misericórdia e o perdão dos pecados, concedida pelo Senhor que vem no caminho preparado pelo menino que nasce. Os inimigos não serão destruídos, como pretendia a tradição de Israel, mas a paz será estabelecida pela misericórdia que remove a imputação de culpa do pecado, e pela conversão que leva à reconciliação. Jesus é o sol e o caminho que a todos ilumina e conduz a Deus.


José Raimundo Oliva

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Evangelho (Lucas 1,46-56)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 46Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem.
51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

Intervenção de Deus na história

Lucas nos apresenta o "cântico de Maria" em sequência à proclamação de sua bem-aventurança por Isabel. No Primeiro Testamento são narrados os grandes feitos de sua divindade por seu povo. São espetaculares manifestações de poder contra os inimigos de Israel, com destruições e mortes. Maria, contudo, proclama que é nela, por sua concepção de Jesus, que Deus fez maravilhas. São as maravilhas do amor de Deus que se comunica a todos os homens e mulheres, na fraternidade e na paz. É o mundo novo que derruba os muros que mantêm os poderosos e ricos em seus privilégios e excluem os humildes e famintos. É o dom de Deus da vida plena e eterna para todos. A novidade de Jesus é a manifestação concreta da intervenção de Deus na história. Os pobres em suas singelas práticas de solidariedade são acolhidos e saciados por Deus, enquanto que os ricos, apegados às suas riquezas estão à beira da frustração, dispensados de mãos vazias. O cântico de Maria fortalece a esperança dos pobres na conquista do mundo novo possível.


José Raimundo Oliva

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Evangelho (Lucas 1,39-45)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45“Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

Deus se faz humano

Lucas, com sua narrativa da visitação de Maria a Isabel, faz a articulação entre os anúncios do anjo Gabriel a Zacarias e a Maria e o nascimento dos meninos, João e Jesus. A antiga religião do Templo de Jerusalém, representada por Zacarias é ultrapassada pela nova realidade da presença divina no ventre de Maria. O menino, João, pula de alegria no ventre de Isabel, quando esta ouve a saudação de Maria. Isto significa que João reconheceu a presença e o senhorio de Jesus já quando ainda estavam ambos nos ventres de suas mães.
Destacando a passagem da antiga religião para a nova realidade presente em Jesus, Lucas também induz os discípulos de João Batista, que formavam um grupo autônomo em seu tempo, a se unirem ao movimento de Jesus.
Nas narrativas de infância de Jesus e na exaltação de uma mulher a sua mãe (Lc 11,27) por seis vezes Lucas destaca o ventre de Maria como o lugar do encontro entre o divino e o humano, na concepção e gestação de Jesus. Fica assim, em evidência, que a encarnação é o acontecimento salvífico, pelo qual, Deus fazendo-se humano, a humanidade é assumida na condição divina e eterna.


José Raimundo Oliva

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

5Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, do grupo de Abia. Sua esposa era descendente de Aarão e chamava-se Isabel. 6Ambos eram justos diante de Deus e obedeciam fielmente a todos os mandamentos e ordens do Senhor. 7Não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e os dois já eram de idade avançada.
8Em certa ocasião, Zacarias estava exercendo as funções sacerdotais no Templo, pois era a vez do seu grupo. 9Conforme o costume dos sacerdotes, ele foi sorteado para entrar no Santuário, e fazer a oferta do incenso. 10Toda a assembleia do povo estava do lado de fora rezando, enquanto o incenso estava sendo oferecido.
11Então apareceu-lhe o anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e o temor apoderou-se dele. 13Mas o anjo disse: “Não tenhas medo, Zacarias, porque Deus ouviu tua súplica. Tua esposa, Isabel, vai ter um filho, e tu lhe darás o nome de João. 14Tu ficarás alegre e feliz, e muita gente se alegrará com o nascimento do menino, 15porque ele vai ser grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem bebida fermentada e, desde o ventre materno, ficará repleto do Espírito Santo. 16Ele reconduzirá muitos do povo de Israel ao Senhor seu Deus. 17E há de caminhar à frente deles, com o espírito e o poder de Elias, a fim de converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à sabedoria dos justos, preparando para o Senhor um povo bem disposto”.
18Então Zacarias perguntou ao anjo: “Como terei certeza disto? Sou velho e minha mulher é de idade avançada”. 19O anjo respondeu-lhe: “Eu sou Gabriel. Estou sempre na presença de Deus, e fui enviado para dar-te esta boa notícia. 20Eis que ficarás mudo e não poderás falar, até o dia em que essas coisas acontecerem, porque não acreditaste nas minhas palavras, que se hão de cumprir no tempo certo”.
21O povo estava esperando Zacarias, e admirava-se com a sua demora no Santuário. 22Quando saiu, não podia falar-lhes. E compreenderam que ele tinha tido uma visão no Santuário. Zacarias falava por sinais e continuava mudo.
23Depois que terminou seus dias de serviço no Santuário, Zacarias voltou para casa. 24Algum tempo depois, sua esposa Isabel ficou grávida, e escondeu-se durante cinco meses. 25Ela dizia: “Eis o que o Senhor fez por mim, nos dias em que ele se dignou tirar-me da humilhação pública!”

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

Jesus - sinal de contradição

Lucas, após um breve prólogo onde justifica seu trabalho redacional do evangelho, narra o anúncio do nascimento de João (Batista) e de Jesus (cf. 20 dez), feito pelo anjo Gabriel, sucessivamente a Zacarias e a Maria. Assim, João e Jesus estão associados entre si desde suas concepções milagrosas. Marcos começa o seu evangelho, o primeiro dos canônicos a ser escrito, com o batismo de João como momento inaugural do ministério de Jesus. Mateus e Lucas, por sua vez fazem a introdução a este batismo inaugural de Jesus com suas narrativas de infância, cada um com um sentido teológico próprio. Mateus apresenta Jesus inserido na genealogia davídica, como aquele que vem cumprir as escrituras. Lucas apresenta Jesus como sinal de contradição, o que já vem acontecendo com seu precursor, João Batista.


José Raimundo Oliva

sábado, 17 de dezembro de 2011

Evangelho (Mateus 1,1-17)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

1Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. 2Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacó; Jacó gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou Farés e Zara, cuja mãe era Tamar. Farés gerou Esrom; Esrom gerou Aram; 4Aram gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson gerou Salmon; 5Salmon gerou Booz, cuja mãe era Raab. Booz gerou Obed, cuja mãe era Rute. Obed gerou Jessé. 6Jessé gerou o rei Davi.
Davi gerou Salomão, daquela que tinha sido mulher de Urias. 7Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; 8Asa gerou Josafá; Josafá gerou Jorão. Jorão gerou Ozias; 9Ozias gerou Jotão; Jotão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; 10Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias. 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo do exílio na Babilônia.
12Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; 13Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azor; 14Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacó. 16Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. 17Assim, as gerações desde Abraão até Davi são catorze; de Davi até o exílio na Babilônia catorze; e do exílio na Babilônia até Cristo, catorze.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

Descendência davídica

A narrativa bíblica, no Primeiro Testamento, é pontuada com personagens que são elos para as cadeias de genealogias. As genealogias foram instrumento de afirmação da pureza racial no judaísmo que surgiu após o exílio. Serviam também para reivindicar estirpes sacerdotais e identificar vocações messiânicas. Elas foram elaboradas em uma seqüência ordenada em blocos de sucessão. Neste sentido, Mateus apresenta uma genealogia em três blocos: de Abraão a Davi, de Davi ao Exílio, do Exílio a José. Nelas destacam-se dois personagens maiores: Abraão e Davi.
Enquanto que em Mateus a genealogia descendente vai de Abraão a José, em Lucas a genealogia ascendente vai de José a Adão. No período entre Davi e o Exílio Mateus coloca a sucessão da realeza davídica, enquanto que Lucas segue outra ordem arbitrária. Lucas tem uma visão universalista da encarnação, menos atrelada à ideologia nacionalista davídica do judaísmo. Mateus inicia seu evangelho com esta genealogia no sentido de vincular Jesus à descendência davídica a partir da paternidade de José.


José Raimundo Oliva

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Evangelho (Lucas 7,19-23)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, João convocou dois de seus discípulos, 19e mandou-os perguntar ao Senhor: És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” 20Eles foram ter com Jesus, e disseram: “João Batista nos mandou a ti para perguntar: ‘És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?’” 21Nessa mesma hora, Jesus curou de doenças, enfermidades e espíritos malignos a muitas pessoas, e fez muitos cegos recuperarem a vista. 22Então, Jesus lhes respondeu: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a boa nova é anunciada aos pobres. 23É feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!”

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

Expectativa do Messias glorioso
Estando João na prisão, ouviu falar das obras de Jesus. João havia anunciado um juízo severo, com o machado já posto à raiz das árvores; as que não derem frutos serão cortadas e queimadas pelo messias. Contudo Jesus não estava julgando e castigando ninguém, porém chamado todos à conversão. Daí a pergunta dos enviados por João: "És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?". Esta interrogação não era só dos discípulos de João, mas, também, dos próprios discípulos de Jesus, e das comunidades que se formaram, depois, ainda sob a expectativa do messias glorioso. Jesus, então, relata sua missão, expressa em suas obras: são obras libertadoras que promovem a vida e ilumina e liberta os pobres submissos à ideologia excludente e opressora dos poderosos. São os sinais da chegada do Reino, com o sinal maior: os pobres são evangelizados. Esta evangelização se exprime na solidariedade e promoção dos empobrecidos, derrubando as barreiras da exclusão levantadas pelos ambiciosos da riqueza.


José Raimundo Oliva

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Evangelho (Mateus 21,28-32)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: 28“Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ 29O Filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. 30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo, que os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

A parábola dos dois filhos

Logo depois de sua chegada a Jerusalém, quando expulsou os comerciantes do Templo, Jesus é questionado pelos chefes religiosos deste Templo. Depois de confundi-los sobre a questão da autenticidade do batismo de João, Jesus dirige-lhes esta parábola simples. O primeiro filho se indispôs a cumprir a vontade do Pai, mas depois mudou e a fez. O segundo filho se dispôs a cumpri-la, mas não a fez. Interrogados por Jesus, os chefes religiosos concordam que foi o primeiro filho que fez a vontade do pai. Jesus os faz ver que não foi isto que eles próprios fizeram. João veio anunciando a vontade do Pai na conversão e na prática da justiça, mas estes chefes e autoridades não acreditaram nele. Satisfaziam-se com a justificativa de serem observantes da Lei e de se proclamarem filhos de Abraão, mas na prática não cumpriam a vontade de Deus. A conversão à justiça, já proposta por João, nos prepara para o advento de Jesus, que nos introduz no reino de partilha, no amor fraterno e eterno.

José Raimundo Oliva

A igreja celebra hoje: Santa Luzia

O nome de Santa Luzia deriva do latim e significa: Portadora da luz. Ela é invocada pelos fiéis como a protetora dos olhos, que são a "janela da alma", canal de luz.

Ela nasceu em Siracusa (Itália) no fim do śeculo III. Conta-se que pertencia a uma família italiana e rica, que lhe deu ótima formação cristã, a ponto de ter feito um voto de viver a virgindade perpétua. Com a morte do pai, Luzia soube que sua mãe, chamada Eutícia, a queria casada com um jovem de distinta família, porém, pagão.

Ao pedir um tempo para o discernimento e tendo a mãe gravemente enferma, Santa Luzia inspiradamente propôs à mãe que fossem em romaria ao túmulo da mártir Santa Águeda, em Catânia, e que a cura da grave doença seria a confirmação do "não" para o casamento. Milagrosamente, foi o que ocorreu logo com a chegada das romeiras e, assim, Santa Luzia voltou para Siracusa com a certeza da vontade de Deus quanto à virgindade e quanto aos sofrimentos pelos quais passaria, assim como Santa Águeda.

Santa Luzia vendeu tudo, deu aos pobres, e logo foi acusada pelo jovem que a queria como esposa. Não querendo oferecer sacrifício aos falsos deuses nem quebrar o seu santo voto, ela teve que enfrentar as autoridades perseguidoras. Quis o prefeito da cidade, Pascásio, levar à desonra a virgem cristã, mas não houve força humana que a pudesse arrastar. Firme como um monte de granito, várias juntas de bois não foram capazes de a levar (Santa Luzia é muitas vezes representada com os sobreditos bois). As chamas do fogo também se mostravam impotentes diante dela, até que por fim a espada acabou com vida tão preciosa. A decapitação de Santa Luzia se deu no ano de 303.

Conta-se que antes de sua morte teriam arrancado os seus olhos, fato ou não, Santa Luzia é reconhecida pela vida que levou Jesus - Luz do Mundo - até as últimas consequências, pois assim testemunhou diante dos acusadores: "Adoro a um só Deus verdadeiro, e a Ele prometi amor e fidelidade".


Santa Luzia, rogai por nós!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Evangelho (João 1,6-8.19-28)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio dar testemunho da luz.
19Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?”
20João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”.
21Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És o Profeta?” Ele respondeu: “Não”.
22Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos de levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?”
23João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías.
24Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus 25e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?”
26João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, 27e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”.
28Isto aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.


- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

"Endireitar o caminho para o Senhor"

João Batista desempenha um papel fundamental no plano salvífico de Deus. Ele rejeita qualquer título messiânico, Cristo, Elias, ou "o profeta". João inaugura o batismo, que está na origem do sacramento de iniciação de nossa vida cristã. É o batismo da conversão à prática da justiça pela qual os pecados são removidos. Seu anúncio, a partir do deserto, entra em choque frontal com o Templo de Jerusalém. Era neste que, segundo a Lei, se purificavam os pecados mediante os rituais preceituados, com ofertas e sacrifícios de animais. Com o seu batismo e seu anúncio João cumpre sua missão de "endireitar o caminho para o Senhor". Ele deixa a expectativa quanto à chegada de alguém que está entre nós e nós não o conhecemos, o qual superará o próprio João. O evangelista João, neste seu texto, identifica o local onde João Batista batizava. Era em Betânia, em território da Peréia (diferente de Betânia próxima a Jerusalém, onde moravam Marta, Maria e Lázaro). A expressão "do outro lado do Jordão" indica o caráter gentílico desta região. O batismo de João tinha características originais e sua proclamação foi tão marcante que lhe mereceu o epíteto de "o Batista". Atraídas por sua mensagem, acorriam a João multidões vindas tanto do mundo gentílico como da Judéia e da própria capital, Jerusalém. Isto abalava a estabilidade, o prestígio e os interesses das elites religiosas de Jerusalém, pois seus fieis estavam em massa indo atrás de João Batista, abandonando os rendosos rituais do Templo. Assim a cúpula central do poder teocrático envia inquisidores, sacerdotes e levitas, para auscultarem João. Mais tarde também esta mesma cúpula enviará outros inquisidores à Galiléia para espreitarem Jesus (Mc 7,1). Respondendo às perguntas dos que o questionavam, João rejeita qualquer messianismo. Identifica-se como cumpridor da profecia de Isaías em preparar o caminho do Senhor. O seu batismo com água terá sua plenitude com aquele que vem depois dele. "Mas entre vós está alguém que vós não conheceis...". João o identificará como o que batiza com o Espírito Santo. Deus, ao enviar seu Filho concebido de Maria, eleva a humanidade à condição divina. Nascido de Maria, Jesus de Nazaré, junto de sua família, antes de iniciar seu ministério, permanece cerca de trinta anos entre homens e mulheres de seu tempo, os quais não reconheceram sua condição divina. Dando continuidade e pleno sentido ao anúncio de João, Jesus, no início de seu ministério se apresentará como aquele que é portador do Espírito, e que anuncia a boa nova aos pobres e vem libertar os oprimidos, fazendo brotar a justiça (primeira leitura). É o Espírito da paz, que nos traz alegria e nos move à oração e ao amor para com nossos irmãos, em contínua ação de graças (segunda leitura). O Advento é o tempo de apurarmos nossa fé em reconhecer o Filho de Deus em Jesus, presente entre nós e em nosso próximo, hoje e sempre, comunicando-nos sua vida divina e eterna pelo amor.


José Raimundo Oliva

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Evangelho (Mateus 11,16-19)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus às multidões: 16“Com quem vou comparar esta geração? São como crianças sentadas nas praças, que gritam para os colegas, dizendo: 17‘Tocamos flauta e vós não dançastes. Entoamos lamentações e vós não batestes no peito!’
18Veio João, que nem come e nem bebe, e dizem: ‘Ele está com um demônio’. 19Veio o Filho do Homem, que come e bebe e dizem: ‘É um comilão e beberrão, amigo de cobradores de impostos e de pecadores’. Mas a sabedoria foi reconhecida com base em suas obras”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

A novidade do Reino

A liturgia, neste Tempo do Advento, destaca a figura de João Batista nas leituras dos evangelhos, nestes dias que antecedem o Natal. A novidade do Reino começa com João. Jesus proclama: "Desde o dia de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência e violentos se apoderam dele..." (Mt 11,12). João significa uma ruptura com os pilares do judaísmo: o sacerdócio, o Templo e a Lei que excluía os seus inadimplentes (pecadores). João descarta a linhagem sacerdotal do pai, troca o Templo de Jerusalém pelo deserto (periferia), e anuncia a libertação dos oprimidos pela Lei, acusados de pecadores, através da prática da justiça. Comparando com algumas crianças que se excluem do jogo das demais, Jesus denuncia a rejeição dos chefes do judaísmo. João, austero no seu vestir, no seu hábitat e em sua alimentação, inicia o anúncio do Reino. A seguir Jesus, o Filho do Homem (o Humano), veste-se e alimenta-se normalmente e vive nos espaços comuns das cidades e campos. Tanto João, na sua austeridade, como Jesus na sua naturalidade e alegria de vida foram rejeitados e difamados pelos chefes religiosos e políticos do judaísmo. Porém pequenos e humildes, dentro e fora do judaísmo, pelas obras de Jesus reconheceram sua sabedoria.


José Raimundo Oliva